domingo, 16 de dezembro de 2018



E agora, filho? Agora como te vou dizer, quando chegarem do acampamento de Natal, que não têm o vosso Canto onde regressar. Que atrás daquela porta já não estão as vossas coisas. Que não vão poder dormir na vossa casa durante tempo indeterminado.
E agora, filho? Como te vou dizer que quem se reuniu hoje numa concentração fomos nós? Como te vou dizer que a tua sede está fechada para avaliação do risco que a Câmara de Sintra diz existir? Que a vossa chefia quer ter a certeza de que nada de mal vos pode acontecer e decidiu encerrar preventivamente a vossa sede, mas que tudo fará para rapidamente vos devolver o que é vosso.
E agora, filho? Como te vou dizer que as minhas lágrimas correram por não saber quando lá vão voltar a entrar? Quando vos sinto desprotegidos de quem vos tinha de incentivar e a quem competia o reconhecimento do vosso trabalho? Como te vou dizer o que custou ver fechar uma porta a cadeado, num silêncio que doía?
E agora, filho? Que sentido faz aquela placa de agradecimento, no vosso redondel, a agradecer à Câmara de Sintra, datada de 1984?
E agora, filho?
Agora levantamos a cabeça e endireitamos os ombros Respiramos fundo, recompomo-nos e arregaçamos todos as mangas para vos ajudar no que precisarem.
E agora? Agora prometemo-vos que não vos vamos deixar sem casa. Que não vos queremos ver tristes. Que vamos tudo fazer para resolver a situação. Agora é trabalhar e seguir em frente.
Por mim, obrigada Escoteiros de Sintra, por me ensinarem tanto e me desafiarem a ir além de mim. Por me fazerem lutar por aquilo em que acredito. Obrigada por nos acolherem a todos.

Rita Leston.




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