domingo, 16 de dezembro de 2018

Depoimento de um antigo escoteiro do 93

O desconhecimento, a insensibilidade, e a falta de respeito pela comunidade Sintrense.
As duas últimas semanas foram de sobressalto para os Escoteiros de Sintra.
Primeiro, chegou-lhes ao conhecimento as palavras proferidas em Reunião de Câmara de 25/9/2018 pelo Presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, sobre a cedência por 50 anos da antiga cadeia comarcã aos Escoteiros de Sintra: “Se isto não é gestão danosa, não sei o que é gestão danosa”.
Depois, foram intimados, por telefone, para uma vistoria às instalações por parte dos serviços da CMS. vedada.
Depois, a entrada da Sede foi vedada. Qualquer um destes actos sem pré-aviso, sem justificação, sem comunicação nem notificação feitas de forma séria à Associação. Sem um acto administrativo assinado que suportasse qualquer intervenção da CMS.
Portanto, antes que cheguemos mais longe na história, sublinhemos o que demonstrava ser a ideia da Câmara, sobretudo do Presidente: Tirar, rapidamente e em força, os escoteiros da Cadeia Comarcã, para lá instalar um centro interpretativo sobre os monumentos de Sintra. Basta consultar as actas da dita Reunião de Câmara. Está preto no branco.
Entretanto, a reacção da comunidade foi evidente. As redes sociais encheram-se de indignação, e Basílio Horta viu-se na obrigação de emendar a mão, chamando os escoteiros de Sintra para uma reunião sobre o assunto. Igualmente nas redes sociais, viu-se obrigado a tentar dar nova roupagem ao que tinha dito na reunião de câmara da 25 de Setembro de 2018. Afinal o contrato de cedência que está em vigor é para cumprir. Só não disse foi como é que a CMS vai apoiar a obra necessária.
Na Assembleia Municipal, perante a presença em massa de antigos escoteiros e de pais, foi evidente que a posição sofreu uma alteração face a setembro. O contrato é para cumprir, é preciso fazer obras urgentes. Os escoteiros devem sair da cadeia comarcã para se realizar essas obras e voltar quando estas estejam prontas. Mas mais nenhuma concretização.
Além de nada concretizar sobre como é que se vão fazer as necessárias obras de beneficiação, o tom algo paternalista e de falsa bonomia usado pelo Presidente da Câmara demonstrou alguma desconsideração pelo tecido associativo sintrense. Ou talvez o senhor presidente da Câmara estivesse a actuar por mero desconhecimento de uma das mais antigas associações do concelho e da mais antiga associação juvenil portuguesa, a Associação dos Escoteiros de Portugal.
E nesse desconhecimento, disse algumas coisas que são ardilosas na forma como foram ditas. Verdadeiros spins, que não resistem a um fact check:
1. - “A CMS não fazia vistorias desde 2004” – Pois não, porque este tipo de vistorias só aconteceu com o objectivo de retirar os escoteiros da cadeia comarcã. Em outros anos, quando a CMS se dispôs a apoiar obras de beneficiação, os engenheiros e técnicos da Câmara também estiveram presentes. Só que a missão era fazer o levantamento dos problemas para os resolver o melhor possível, e não para criar condições para afastar os comodatários do espaço.
2- “O Grupo nunca falou com a CMS sobre a sede desde que este executivo iniciou funções”. Não é verdade: Nas semanas após ser eleito pela primeira vez, os Escoteiros de Sintra endereçaram a Basílio Horta as maiores felicidades para o mandato e um pedido de reunião para apresentação de cumprimentos, onde se apresentaria o plano de actividades. Nunca foram recebidos pelo Presidente. Foram recebidos pelo Vice-Presidente Rui Pereira, onde se apresentou o plano de actividades para os 80 anos, em que a sede foi um dos temas desenvolvidos. O Vice-Presidente esteve depois presente na Sessão solene dos 80 anos do Grupo.
3. Uma prisão não é um local adequado para as crianças, com as suas celas e grades: Se o Presidente da Câmara tivesse aceite os convites dos Escoteiros de Sintra, teria testemunhado que o espaço outrora de clausura, é hoje um espaço de plena expressão de liberdade. O Escotismo funciona em pequenos grupos. Cada pequeno Grupo tem um canto, uma cela que é da sua responsabilidade mas também é o seu espaço privado onde podem reunir, onde preparam as suas actividades. Na verdade, não há espaço mais adequado ao modo de funcionar de um grupo de escoteiros do que um com estas características. Os escoteiros não são coitadinhos e adoram as suas celas, onde são muito mais livres do que se tivessem de reunir num banco de jardim.
Relembremos então a história, e saibamos porque é que este é um ataque à alma de Sintra.
O grupo 93 Sintra da Associação dos Escoteiros Portugal foi fundado em 1934. Quase 85 anos ao serviço da juventude sintrense. Nunca fechou, mesmo quando a ditadura perseguiu os escoteiros. O Presidente da Camara é um decano da política portuguesa, e mesmo assim o grupo já existia quando Basílio Horta nasceu!
A sua fundação foi marcada com pompa circunstância frente aos Paços do Concelho. Pelos escoteiros de Sintra passaram já milhares de jovens e famílias, que voltam com os seus filhos e com os filhos dos seus filhos. Tudo porque o método escotista é cada vez mais relevante, apesar de aparentemente o Presidente da Câmara não o saber. Nas competências para a vida, no espírito de equipa, nos valores da lealdade e da honestidade que tantas vezes são esquecidos, no contacto com a Natureza, no combate ao isolamento dado pelos jogos de vídeo e pela internet…Quem passa pelos escoteiros faz amigos para a vida e tem a oportunidade de crescer e aprender num ambiente saudável e seguro para o desenvolvimento da personalidade. Onde se aprende fazendo, onde se aprende errando. Onde se ganham experiências e responsabilidades desde cedo. Todo o jogo é de soma positiva, excepto para quem vê o apoio a esta mais-valia como gestão danosa. Aí passam os escoteiros a ser um empecilho à já saturada exploração turística de Sintra. A dignidade do movimento justifica em absoluto a ocupação de um espaço como este.
O Grupo 93 Sintra da AEP habita na antiga Cadeia Comarcã de Sintra desde 1981. O espaço que outrora servia para prender pessoas tem sido nos últimos 30 anos, um instrumento de liberdade. Um braço de um movimento mundial de mais de 40 milhões de pessoas que tentam todos os dias criar um mundo melhor. E são também milhares os que já visitaram Sintra por terem um sítio para ficar, numa terra que há anos que não tem parques de campismo ou pousadas de juventude.
Hoje, os escoteiros de Sintra têm 120 elementos, que estão em actividade permanente todo o ano. Todos os sábados fazem atividades, todas as semanas as preparam utilizando o espaço que têm tratado com carinho, com afecto, e com muito investimento financeiro. Não vale a pena dizer que a cedência é a título gracioso, porque todos os anos são investidos milhares de euros na conservação do espaço, só com dinheiro das quotas dos associados e das angariações de fundos que os escoteiros fazem. O Grupo 93 não só garante a conservação do espaço, como tem ido além do contrato de cedência e tem pago a sua parte em obras de beneficiação que a Câmara de Sintra tem feito, de que se destaca a intervenção na cobertura em 2013.
Tudo isto apoiado em trabalho voluntário cuja capacidade de organização tem pouco paralelo no movimento associativo. Porque é feito planeamento estratégico, é promovida a formação dos dirigentes e porque o método é alicerçado em critérios pedagógicos bem definidos, o que faz com que esta seja uma colectividade estável e resiliente. São 85 anos de trabalho contínuo, sem nunca ter interrompidos as suas actividades, mesmo quando a ditadura atacava os grupos de escoteiros.
Quem são os contribuintes afinal?
Também é abstruso que se diga que “o património é dos contribuintes” para justificar a solução que o presidente quer ver implementada. Se é dos contribuintes, quem é que são os contribuintes? As famílias Sintrenses, que vivem, que estudam, trabalham e votam em Sintra, ou os turistas que visitam Sintra por um dia? Qual é o valor acrescentado que se cria para os contribuintes a criação de um espaço para turistas passarem para tirar panfletos daquilo que querem realmente visitar?
Os Escoteiros de Sintra são um exemplo na participação cívica e na colaboração com a Câmara quando esta pede pessoas para as suas iniciativas. Estão sempre presentes quando lhes é pedido. Com a Protecção Civil à cabeça: vigilância de incêndios, protecção da natureza, mobilização de pessoas para simulacros de grande escala. Participação em eventos desportivos e culturais. Limpeza de lixo na floresta e em espaços verdes urbanos. Tudo isto voluntariamente, sem pedir nada em troca. Minto: em troca-se pedia-se respeito. Quando se trata de mão-de-obra a título gracioso, já não há gestão danosa e os Escoteiros são sempre um parceiro à mão de um telefonema ou de um e-mail simpático.
Não há nada que justifique este ataque a uma instituição da terra. Sem uma palavra, sem um pingo de respeito pela Associação, pelos jovens e pelas famílias. No centro da vila de Sintra, uma actividade para os sintrenses é considerada gestão danosa. E é pena que assim seja. Pouco a pouco, Sintra fica sem alma, sem os sorrisos luminosos de jovens em actividade, e sem dar o exemplo de que as cidades têm de cuidar dos seus.
E agora?
Hoje, os Escoteiros de Sintra decidiram, mesmo perante um processo enviesado de interdição da sede por parte da CMS, fechar o acesso ao interior do edifício e à parte da muralha que apresenta preocupações (lembre-se que foi esta a muralha destruída pela CMS em 1989). Justificam, e bem, porque é que a CMS deve tomar a dianteira e resolver o problema com responsabilidade e celeridade.
Foram feitas duas vistorias à Sede, mas a CMS apenas disponibilizou o relatório de uma delas.
Hoje, todos temos um nó na garganta. Hoje, todos esperamos que aqueles que foram eleitos pelo povo, respeitem as mensagens (às centenas) que o povo lhes tem mandado.
José Filipe SousaO desconhecimento, a insensibilidade, e a falta de respeito pela comunidade Sintrense.
As duas últimas semanas foram de sobressalto para os Escoteiros de Sintra.
Primeiro, chegou-lhes ao conhecimento as palavras proferidas em Reunião de Câmara de 25/9/2018 pelo Presidente da Câmara de Sintra, Basílio Horta, sobre a cedência por 50 anos da antiga cadeia comarcã aos Escoteiros de Sintra: “Se isto não é gestão danosa, não sei o que é gestão danosa”.
Depois, foram intimados, por telefone, para uma vistoria às instalações por parte dos serviços da CMS. vedada.
Depois, a entrada da Sede foi vedada. Qualquer um destes actos sem pré-aviso, sem justificação, sem comunicação nem notificação feitas de forma séria à Associação. Sem um acto administrativo assinado que suportasse qualquer intervenção da CMS.
Portanto, antes que cheguemos mais longe na história, sublinhemos o que demonstrava ser a ideia da Câmara, sobretudo do Presidente: Tirar, rapidamente e em força, os escoteiros da Cadeia Comarcã, para lá instalar um centro interpretativo sobre os monumentos de Sintra. Basta consultar as actas da dita Reunião de Câmara. Está preto no branco.
Entretanto, a reacção da comunidade foi evidente. As redes sociais encheram-se de indignação, e Basílio Horta viu-se na obrigação de emendar a mão, chamando os escoteiros de Sintra para uma reunião sobre o assunto. Igualmente nas redes sociais, viu-se obrigado a tentar dar nova roupagem ao que tinha dito na reunião de câmara da 25 de Setembro de 2018. Afinal o contrato de cedência que está em vigor é para cumprir. Só não disse foi como é que a CMS vai apoiar a obra necessária.
Na Assembleia Municipal, perante a presença em massa de antigos escoteiros e de pais, foi evidente que a posição sofreu uma alteração face a setembro. O contrato é para cumprir, é preciso fazer obras urgentes. Os escoteiros devem sair da cadeia comarcã para se realizar essas obras e voltar quando estas estejam prontas. Mas mais nenhuma concretização.
Além de nada concretizar sobre como é que se vão fazer as necessárias obras de beneficiação, o tom algo paternalista e de falsa bonomia usado pelo Presidente da Câmara demonstrou alguma desconsideração pelo tecido associativo sintrense. Ou talvez o senhor presidente da Câmara estivesse a actuar por mero desconhecimento de uma das mais antigas associações do concelho e da mais antiga associação juvenil portuguesa, a Associação dos Escoteiros de Portugal.
E nesse desconhecimento, disse algumas coisas que são ardilosas na forma como foram ditas. Verdadeiros spins, que não resistem a um fact check:
1. - “A CMS não fazia vistorias desde 2004” – Pois não, porque este tipo de vistorias só aconteceu com o objectivo de retirar os escoteiros da cadeia comarcã. Em outros anos, quando a CMS se dispôs a apoiar obras de beneficiação, os engenheiros e técnicos da Câmara também estiveram presentes. Só que a missão era fazer o levantamento dos problemas para os resolver o melhor possível, e não para criar condições para afastar os comodatários do espaço.
2- “O Grupo nunca falou com a CMS sobre a sede desde que este executivo iniciou funções”. Não é verdade: Nas semanas após ser eleito pela primeira vez, os Escoteiros de Sintra endereçaram a Basílio Horta as maiores felicidades para o mandato e um pedido de reunião para apresentação de cumprimentos, onde se apresentaria o plano de actividades. Nunca foram recebidos pelo Presidente. Foram recebidos pelo Vice-Presidente Rui Pereira, onde se apresentou o plano de actividades para os 80 anos, em que a sede foi um dos temas desenvolvidos. O Vice-Presidente esteve depois presente na Sessão solene dos 80 anos do Grupo.
3. Uma prisão não é um local adequado para as crianças, com as suas celas e grades: Se o Presidente da Câmara tivesse aceite os convites dos Escoteiros de Sintra, teria testemunhado que o espaço outrora de clausura, é hoje um espaço de plena expressão de liberdade. O Escotismo funciona em pequenos grupos. Cada pequeno Grupo tem um canto, uma cela que é da sua responsabilidade mas também é o seu espaço privado onde podem reunir, onde preparam as suas actividades. Na verdade, não há espaço mais adequado ao modo de funcionar de um grupo de escoteiros do que um com estas características. Os escoteiros não são coitadinhos e adoram as suas celas, onde são muito mais livres do que se tivessem de reunir num banco de jardim.
Relembremos então a história, e saibamos porque é que este é um ataque à alma de Sintra.
O grupo 93 Sintra da Associação dos Escoteiros Portugal foi fundado em 1934. Quase 85 anos ao serviço da juventude sintrense. Nunca fechou, mesmo quando a ditadura perseguiu os escoteiros. O Presidente da Camara é um decano da política portuguesa, e mesmo assim o grupo já existia quando Basílio Horta nasceu!
A sua fundação foi marcada com pompa circunstância frente aos Paços do Concelho. Pelos escoteiros de Sintra passaram já milhares de jovens e famílias, que voltam com os seus filhos e com os filhos dos seus filhos. Tudo porque o método escotista é cada vez mais relevante, apesar de aparentemente o Presidente da Câmara não o saber. Nas competências para a vida, no espírito de equipa, nos valores da lealdade e da honestidade que tantas vezes são esquecidos, no contacto com a Natureza, no combate ao isolamento dado pelos jogos de vídeo e pela internet…Quem passa pelos escoteiros faz amigos para a vida e tem a oportunidade de crescer e aprender num ambiente saudável e seguro para o desenvolvimento da personalidade. Onde se aprende fazendo, onde se aprende errando. Onde se ganham experiências e responsabilidades desde cedo. Todo o jogo é de soma positiva, excepto para quem vê o apoio a esta mais-valia como gestão danosa. Aí passam os escoteiros a ser um empecilho à já saturada exploração turística de Sintra. A dignidade do movimento justifica em absoluto a ocupação de um espaço como este.
O Grupo 93 Sintra da AEP habita na antiga Cadeia Comarcã de Sintra desde 1981. O espaço que outrora servia para prender pessoas tem sido nos últimos 30 anos, um instrumento de liberdade. Um braço de um movimento mundial de mais de 40 milhões de pessoas que tentam todos os dias criar um mundo melhor. E são também milhares os que já visitaram Sintra por terem um sítio para ficar, numa terra que há anos que não tem parques de campismo ou pousadas de juventude.
Hoje, os escoteiros de Sintra têm 120 elementos, que estão em actividade permanente todo o ano. Todos os sábados fazem atividades, todas as semanas as preparam utilizando o espaço que têm tratado com carinho, com afecto, e com muito investimento financeiro. Não vale a pena dizer que a cedência é a título gracioso, porque todos os anos são investidos milhares de euros na conservação do espaço, só com dinheiro das quotas dos associados e das angariações de fundos que os escoteiros fazem. O Grupo 93 não só garante a conservação do espaço, como tem ido além do contrato de cedência e tem pago a sua parte em obras de beneficiação que a Câmara de Sintra tem feito, de que se destaca a intervenção na cobertura em 2013.
Tudo isto apoiado em trabalho voluntário cuja capacidade de organização tem pouco paralelo no movimento associativo. Porque é feito planeamento estratégico, é promovida a formação dos dirigentes e porque o método é alicerçado em critérios pedagógicos bem definidos, o que faz com que esta seja uma colectividade estável e resiliente. São 85 anos de trabalho contínuo, sem nunca ter interrompidos as suas actividades, mesmo quando a ditadura atacava os grupos de escoteiros.
Quem são os contribuintes afinal?
Também é abstruso que se diga que “o património é dos contribuintes” para justificar a solução que o presidente quer ver implementada. Se é dos contribuintes, quem é que são os contribuintes? As famílias Sintrenses, que vivem, que estudam, trabalham e votam em Sintra, ou os turistas que visitam Sintra por um dia? Qual é o valor acrescentado que se cria para os contribuintes a criação de um espaço para turistas passarem para tirar panfletos daquilo que querem realmente visitar?
Os Escoteiros de Sintra são um exemplo na participação cívica e na colaboração com a Câmara quando esta pede pessoas para as suas iniciativas. Estão sempre presentes quando lhes é pedido. Com a Protecção Civil à cabeça: vigilância de incêndios, protecção da natureza, mobilização de pessoas para simulacros de grande escala. Participação em eventos desportivos e culturais. Limpeza de lixo na floresta e em espaços verdes urbanos. Tudo isto voluntariamente, sem pedir nada em troca. Minto: em troca pedia-se respeito. Quando se trata de mão-de-obra a título gracioso, já não há gestão danosa e os Escoteiros são sempre um parceiro à mão de um telefonema ou de um e-mail simpático.
Não há nada que justifique este ataque a uma instituição da terra. Sem uma palavra, sem um pingo de respeito pela Associação, pelos jovens e pelas famílias. No centro da vila de Sintra, uma actividade para os sintrenses é considerada gestão danosa. E é pena que assim seja. Pouco a pouco, Sintra fica sem alma, sem os sorrisos luminosos de jovens em actividade, e sem dar o exemplo de que as cidades têm de cuidar dos seus.
E agora?
Hoje, os Escoteiros de Sintra decidiram, mesmo perante um processo enviesado de interdição da sede por parte da CMS, fechar o acesso ao interior do edifício e à parte da muralha que apresenta preocupações (lembre-se que foi esta a muralha destruída pela CMS em 1989). Justificam, e bem, porque é que a CMS deve tomar a dianteira e resolver o problema com responsabilidade e celeridade.
Foram feitas duas vistorias à Sede, mas a CMS apenas disponibilizou o relatório de uma delas.
Hoje, todos temos um nó na garganta. Hoje, todos esperamos que aqueles que foram eleitos pelo povo, respeitem as mensagens (às centenas) que o povo lhes tem mandado.
José Filipe Sousa


E agora, filho? Agora como te vou dizer, quando chegarem do acampamento de Natal, que não têm o vosso Canto onde regressar. Que atrás daquela porta já não estão as vossas coisas. Que não vão poder dormir na vossa casa durante tempo indeterminado.
E agora, filho? Como te vou dizer que quem se reuniu hoje numa concentração fomos nós? Como te vou dizer que a tua sede está fechada para avaliação do risco que a Câmara de Sintra diz existir? Que a vossa chefia quer ter a certeza de que nada de mal vos pode acontecer e decidiu encerrar preventivamente a vossa sede, mas que tudo fará para rapidamente vos devolver o que é vosso.
E agora, filho? Como te vou dizer que as minhas lágrimas correram por não saber quando lá vão voltar a entrar? Quando vos sinto desprotegidos de quem vos tinha de incentivar e a quem competia o reconhecimento do vosso trabalho? Como te vou dizer o que custou ver fechar uma porta a cadeado, num silêncio que doía?
E agora, filho? Que sentido faz aquela placa de agradecimento, no vosso redondel, a agradecer à Câmara de Sintra, datada de 1984?
E agora, filho?
Agora levantamos a cabeça e endireitamos os ombros Respiramos fundo, recompomo-nos e arregaçamos todos as mangas para vos ajudar no que precisarem.
E agora? Agora prometemo-vos que não vos vamos deixar sem casa. Que não vos queremos ver tristes. Que vamos tudo fazer para resolver a situação. Agora é trabalhar e seguir em frente.
Por mim, obrigada Escoteiros de Sintra, por me ensinarem tanto e me desafiarem a ir além de mim. Por me fazerem lutar por aquilo em que acredito. Obrigada por nos acolherem a todos.

Rita Leston.




Valentes!





Tenho tanto, mas tanto orgulho neste Grupo que não é um bando de miúdos.
Lá vão eles, com os nossos escoteiros às costas para mais um acampamento, depois de terem tido uma semana dura e cansativa a lutar por aquilo que é deles.
Hoje, na Assembleia Municipal, mostrámos todos de que é feita a garra e união desta grande família do 93!
Faço minhas as palavras abaixo.

Rita Leston

"Sede cheia, com malta a preparar-se para acampar por este país fora e a receber malta de fora para pernoitar.
É assim que tem de ser.
O 93 é um marco em Sintra, e, hoje, na assembleia o senhor presidente teve oportunidade de perceber que este Grupo não é um bando de miúdos.
Este Grupo não está sozinho.
Este Grupo já lutou esta luta e não está nas cordas.
Este Grupo está organizado e não é apanhado em contradições como o presidente da cms (malditas actas).
A oposição está atenta e, até ver, TODA com o grupo.
Este monstro de Grupo ainda agora começou sr. presidente..
Noutra nota, para a Chefia de Grupo:
O meu orgulho em vocês é imenso, mantenham-se unidos que têm toda uma História e gerações de escoteiros ao vosso dispôr.
Levem as divisões a acampar primeiro, quando voltarem há legiões para vos apoiarem.
Aguardaremos, Sempre Prontos, instruções.
João Agrela"

Comunicado Público dos Escoteiros de Sintra





"Ao longo das últimas semanas a Câmara Municipal de Sintra começou a tomar um conjunto de medidas que faziam antever a possibilidade de a nossa sede ser encerrada! Apesar de todo o processo pautar por uma grande falta de transparência.
Das duas vistorias e dos dois respectivos relatórios efectuados recebemos apenas um nesta passada sexta-feira, dia 14 de Dezembro. Nesse mesmo dia estivemos presentes na Assembleia Municipal, onde podemos ouvir o Sr. Presidente e os restantes deputados municipais com as suas intervenções e preocupações.
Apesar de não concordarmos com a forma como este processo foi conduzido, somos os principais interessados em garantir a segurança dos nossos jovens, bens pessoais e do imóvel, e como tal tomamos a iniciativa de vedar as zonas indicadas como perigosas.
Assim, decidimos fechar desde já o acesso ao interior do edifício, aguardando também maior nível de detalhe dos problemas estruturais do edifício.
A Chefia do Grupo vai tomar as medidas necessárias para garantir as intervenções de recuperação da nossa Sede, no entanto, e apesar de sermos responsáveis pela conservação da mesma, é necessário o apoio financeiro por parte da CMS.
Porque é que a CMS deveria apoiar estas obras?
1. O edifício é propriedade da Câmara Municipal de Sintra e o investimento integral por parte do Grupo seria totalmente desproporcional para um edifício que daqui a 15 anos vai deixar de ser nosso;
2. O contrato assegura a presença do Grupo nesta Sede apenas até 2034, não havendo qualquer indício de permanecermos após essa data;
3. O investimento na juventude em Sintra é essencial, tendo em conta o papel activo que o Escotismo, a AEP e o Grupo têm na sociedade;
4. O Grupo é uma entidade sem fins lucrativos que assenta no trabalho voluntário jovem.
5. A Associação dos Escoteiros de Portugal é uma reconhecida instituição de utilidade publica.
Boa Caça"

Comunicado dos Escoteiros de Sintra, de 12/12/2018



"A Antiga Cadeia Comarcã foi inaugurada em 1909, tendo funcionado como estabelecimento prisional até 1969. Depois disso serviu de armazém do Museu de Odrinhas e de Sede do Partido Comunista, pós 25 de Abril.
Há cerca de 40 anos que os Escoteiros de Sintra estão neste edifício. Quando os escoteiros para aqui vieram, embora o edifício tivesse indícios de abandono e chovesse em todos os seus compartimentos, na altura, aquele edifício era o melhor que tínhamos para nossa sede. 
Depois de uns anos de parceria, em 1984 foi celebrado um contrato, ainda válido, de cedência por 50 anos do espaço, até 2034, data essa até à qual esperamos continuar esta parceria!
Ao longo dos anos houve diversas tentativas de quebra do contrato, por parte da Câmara, sendo a maior em 1989 quando as máquinas avançaram sobre uma parte dos muros da sede, tendo os mesmos sido parcialmente destruídos. Na altura a intenção era transformar a Antiga Cadeia na sede dos SMAS, para tal uma parte do edifício seria destruído. Os Escoteiros de Sintra, com o apoio de outros Grupos de Escoteiros, da Associação para a Defesa do Património de Sintra e da população de Sintra, fizeram resistência activa à investida da Câmara tanto na rua – colocando-se à frente das máquinas – como em Tribunal. O processo foi ganho pelo Grupo 93 cuja única exigência foi a recolocação e reconstrução do muro!
Desde então muito se passou, novas tentativas de despejo, novos projectos para o edifício por parte da CMS, mas o mais importante foi todo o dinamismo criado com o espaço ao longo dos anos pelos Escoteiros de Sintra, quer com as atividades escotistas, quer com iniciativas de abrir o espaço à comunidade (Exposições, Grupos de teatro, Cursos de fotografia, Atividades desportivas-Capoeira e Esgrima, etc). Muito importante também foram as melhorias que conseguimos no edifício, nomeadamente a recuperação da totalidade da fachada e consequentemente pintura e ainda a impermeabilização da cobertura que, hoje em dia, impede que chova dentro de todas as Salas onde os nossos Jovens se reúnem! Ambas as melhorias com significativos esforços financeiros da parte do 93 (Instituição sem fins lucrativos) e um Grande apoio da parte da CMS na altura! 
Esta sede está cheia de memórias, de momentos bem passados, cheia de aprendizagem e trabalho dedicado à mesma, aos Jovens e à Comunidade.
Nos últimos tempos parece-nos que toda esta história e memória pode estar a ser posta em causa. A ameaça de encerramento da sede é iminente.
Desde a sua fundação, em 1934, o Grupo 93 tem sido um incansável parceiro da CMS, e assim continuaremos a ser em prol da Comunidade e da Cidadania! 
Esperemos que nos próximos tempos as negociações com a CMS se desenrolem de forma cordial, agradável e mutuamente respeitosa para, em conjunto, conseguirmos arranjar rapidamente uma solução para esta Grande Instituição Juvenil do Concelho de Sintra. A mais antiga por sinal e num dos Concelhos com mais Jovens em Portugal!
Agradecemos todo o apoio que nos têm dado e apelamos a que se mantenham tranquilos e serenos durante todo este processo!
Há 40 anos que dinamizamos, mantemos, melhoramos e dignificamos, orgulhosamente, este espaço!
Boa caça!"

Escoteiros de Sintra, no FB.

Quando o Sr Presidente não lhes dá soluções


Não. Não. E não.
A minha tristeza e indignação mantêm-se, ao ter ouvido e visto a postura do Sr Presidente, ontem, na Assembleia Municipal, percebendo que é eminente o encerramento da sede dos Escoteiros de Sintra, por parte da Câmara Municipal.
Aquela sede, que, sim, outrora foi uma prisão, e onde querem fazer passar a imagem de que "coitados dos miúdos que merecem melhor do que estar dentro de grades", cumpre exactamente todas as exigências e necessidades que um grupo de mais de 100 escoteiros que recebe regularmente de outros vindos de fora, precisa. O espaço que pretendem disponibilizar, dentro do Parque da Liberdade, não alberga todas as crianças e jovens que lá se encontram, e muito menos os seus visitantes, não tendo, nem o tamanho necessário, nem localização acessível a que crianças (a partir dos seis anos) possam ser deixadas pelos seus pais à porta do parque e deslocarem-se sozinhas para os seus meandros, obrigando a que em todos os dias de actividades 100 pais, duas vezes ao dia, tenham de estacionar no sítio de onde o Sr Presidente mandou retirar o trânsito e acompanhá-los, Parque acima, para os ir deixar na actividade, tudo repetindo para os irem buscar.

A Câmara terá identificado danos no edifício e não pretende deixar que os Escoteiros de Sintra façam as suas próprias obras, encontrando-se eminente o encerramento da sede. Não pretende deixar que seja pedida uma fiscalização isenta e fora do meio político. A Câmara Municipal tem agido de má fé, com toda a rapidez, não dando tempo sequer para os Escoteiros resolverem aquilo que tem solução e que querem resolver, assim os deixem, não lhes fechando a porta, mas deixando-os, eles próprios, fazer a reabilitação do edifício.
A sede dos escoteiros do Grupo 93, em Sintra é a casa deles há mais de 40 anos, possuindo um contrato válido para ali permanecerem até 2034. Encontraram, como podem ver nas fotos, um edifício quase ao abandono e em ruínas e tornaram-no no melhor que têm conseguido ao longo destes anos. Aquele espaço, na memória popular já faz parte da história de Sintra como sendo o seu "Castelo".
Os Escoteiros de Sintra não precisam de que lhes seja encerrada a sua sede e entregue uma nova. Só precisa de que os deixem resolver os seus problemas e os deixem lá permanecer.
Por uma juventude atenta. Por uma instituição que faz muito mais do que tantos organismos públicos pelas nossas crianças e comunidade, não deixem este assunto ser esquecido.
Não podemos permitir que a sede dos Escoteiros de Sintra lhes seja retirada, pois eles só a deixaram melhor do que a encontraram.
Por favor, mantenham a vossa ajuda com a partilha deste post.

Rita Leston

A Estupefacção Inicial



E deparo-me com uma notícia que me deixa com profunda tristeza. Com tristeza de estarem a tentar fazer o mal a quem só pratica o bem. Com a tristeza de ver uma casa que é deles, e com um contrato válido assinado pela Câmara Municipal de Sintra, a querer-lhes ser retirada, mais uma vez.
E com indignação. Muita indignação pela falta de respeito por todos os jovens dirigentes do Grupo 93, dos Escoteiros de Sintra, juntamente com os cerca de 100 escoteiros que ali se encontram. Indignação por nem uma palavra a Câmara Municipal de Sintra ter tido para quem faz um trabalho que, além de ser respeitado, devia ter sido já agraciado por mérito.
A Cadeia Comarcã é a casa dos Escoteiros de Sintra há décadas, o edifício, que já foi declarado como de interesse público, só ainda existe porque em 1989 os escoteiros se colocaram literalmente à frente das máquinas que lhes iam destruir a sua casa. Ao seu redor existe um cemitério que não pode ser destruído, coisa que a Câmara parece querer esquecer e ali instalar um ponto de recepção ao turismo. É. Ao turismo. Os turistas necessitam de ser bem recebidos. A Câmara quer retirar a sede aos Escoteiros para ali colocar um centro de recepção aos turistas!
Mas e quem recebe as nossas crianças e jovens? Quem os acolhe e os forma com ensinamentos que não vão buscar a mais lado nenhum? Quem semana após semana, abdica do seu tempo livre para ajudar a criar adultos com valores? Quem os livra dos jogos electrónicos e lhes dá algo para fazer? Quem limpa a serra de graça? Quem recolhe alimentos? Quem visita lares de idosos? Eles merecem tanto o nosso respeito e apoio!
O meu filho esteve dois anos em lista de espera para entrar porque não poderia ser escoteiro noutro qualquer grupo, ainda que mais perto de casa. Se a proximidade da serra lhes confere o seu habitat natural, metade do seu encanto e magia é a sede deles. Onde podem brincar e aprender. Onde se fazem uns senhores e senhoras preparados para a vida. Onde têm um espaço exterior para as suas fogueiras e jogos de brutobol. Onde recebem a comunidade que os queira visitar, bem como quaisquer escoteiros de todo o mundo.
A minha indignação não tem tamanho. A minha tristeza é profunda.
A Câmara de Sintra não pode retirar a sede aos Escoteiros de Sintra, com alegadas condições de insalubridade, colocando sem aviso prévio uma rede à volta e querendo apenas expulsá-los de lá. Se o edifício ainda está de pé e cada vez em melhores condições é porque os escoteiros e nós, pais, temos ajudado a que tal aconteça, tendo já sido gastos milhares de euros em recuperações. O que os escoteiros precisam, é de ajuda, não que os expulsem da sua casa e os enfiem numa qualquer loja de mercado, pondo em causa todo o seu trabalho. Se a Câmara entende que a sede não tem condições, que ajude na reabilitação e a devolva aos escoteiros, que ali estão há décadas, com contrato válido.
Cada buraco nas suas camisolas, funciona como uma medalha! Cada pedaço de lama, significa que se esforçaram! Cada noite mal dormida, mostra-lhes que conseguem ultrapassar todos os obstáculos! Respeito! Merecem respeito!
Sabe o que é uma mística, Sr Presidente? Acredito que não, mas devia levantar-se do seu sofá e ir lá ver! E um Alma Nova? Pois....
Um dos lemas dos escoteiros é deixarem o mundo sempre melhor do que o encontrarem. Foi o que eles fizeram com a sua sede.
Por favor, ajudem as nossas crianças e jovens a não perderem a sua casa que tanto os ensina a crescer como pessoas responsáveis e activas na sociedade.
Quem ajuda os nossos jovens que só querem saltar dos sofás para poderem ver as estrelas?
Partilhem, por favor, a nossa indignação para chegar a quem de direito!

Rita Leston

Depoimento de um antigo escoteiro do 93

O desconhecimento, a insensibilidade, e a falta de respeito pela comunidade Sintrense. As duas últimas semanas foram de sobressalto para ...